quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Conselhos à populaça entre princesas e ladrões.

Preocupações à parte a senhora D. princesa do mónaco nunca cantou nada de especial. A sua voz nem sequer se ouvia. Se quiser comprovar isto então faça-se homem e pesquise. Abra o seu Magalhães e do mundo de preocupações que tem na cabeça parta à procura e não se aleije. Todavia navegar na internet tem o seu quê de perigo. Poderosos monstros marinhos podem corromper as velas do seu navio e deixá-lo à deriva. Gigantescas cobras cuspideiras podem atingi-lo directamente nos olhos. Pare, escute e olhe. Pare que essa correria do dia-a-dia só lhe pode fazer mal. Conserve o seu coração. Escute o que o rodeia. Deixe que a nossa eterna princezinha lhe diga ao ouvido o quanto estava desesperada por dar nas vistas (já reparou que desde que é orfã não fez nem mais um escândalo?). Por fim olhe. Veja bem o chão que pisa. Meça bem as alturas dos sítios por onde anda. Não adormeça. Não ande por aí aos trambolhões.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A propriedade é algo que estimamos em demasia há coisas bem mais importantes a fazer.

A Liberdade é a melhor coisa do Mundo. E poder correr nú pela praia todo ranhoso porque se está constipado mas apetece e é só porque apetece que amanhã já sei que estou pior mas agora isto sabe-me mesmo bem é que é mesmo bom. Eu gosto. E portanto é bom.
Preparem-se para a chuva. Este clima de mulher velha com óculos e com mamas, se não as tivesse não estava a falar dela porque era pecado, é uma energia que se renova anualmente. O corpo recompensa qualquer excesso.
Já agora não se esqueçam de doar algum dinheirito para quem necessita. Imaginemos que não há dinheiro nem para a lavandaria. As cuecas acumulam-se e as peúgas ganham mau cheiro. Se estiverem a viver num quarto emprestado pensem bem no mau cheiro que fica lá dentro. Já para não falar que aumenta a possibilidade de se ser expulso da assoalhada habitada. Para mim, fazer a escritura de uma casa sempre foi algo de estranho pois nunca tive a possibilidade de o fazer. Na realidade, paga-se um balurdio por um papel que diz que a casa é nossa quando na realidade não o é. A casa pertence-se a si própria, como todas as coisas que nos rodeiam. O que acontece é que essas coisas têm portas que nos permitem entrar e por lá permanecer. O mais que se pode dizer é que somos engolidos por elas tal como as gavetas engolem os papeis que por sua vez nos foram dados em troca de outras coisas às quais chamamos moedas, notas, papel, etc. O que nos salva depois são umas coisas fantásticas às quais pusemos o nome de fechadura e que só são abertas por chaves que tenham sido feitas com o propósito de abrir aquela fechadura especifica. Fechamos portas, gavetas e já não somos incomodados por mais ninguém. Ficamos dentro de casa e dali não saimos. As paredes, as gavetas, os papeis e nós de espanador em riste a dar uma ilusãozinha de movimento.
Gosto desta moda moderna de se construir na horizontalidade. Podemos ocupar o Mundo e o Universo. Gostava que o meu quarto com pivete a meias por lavar roçasse a lua. Dizem que no Espaço não há cheiro e era menos um problema a chatear. Pois... e será que a velha mamalhuda já acabou de cagar? Fica horas na sanita a ler a Maria e outras revistas afins e esquece-se que tem qualquer coisa parecida com um inquilino aflito aqui no quarto. É que o corpo recompensa o excesso de merda no intestino com gases pavorosos. Espero bem que o Sol volte para mais umas boas cagadas à beira-mar. O Inverno começa-se a instalar e uma pessoa já não está habituada a tanto frio. Penso nisto e fico logo irritado. Entretanto espero não me borrar pernas abaixo.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

"Jaciara quer ser actriz"

Ficava-lhe bem o palco. As tábuas mal presas de vez em quando batiam-lhe na tola como quem diz acorda mulher não te deixes aí a dormir. Ela declamava como ninguém. As palavras caiam-lhe da boca como melodias densas que não se deixam suspensas pelo ar. Os símbolos do seu corpo eram gestos de prazer e segurança. O espectador tinha uma sensação de sublime imortalidade e rebeldia. Quem a via, nunca mais regressava ao seu antigo ser. Jaciara era tudo o que queria. Perfeita.

Jaciara já não ama Deco.

Deco perdeu-se pelo Mundo.

Jaciara ama outro. O teatro é o seu Mundo e o Mundo é trágico. Ou comédia. Aquilo que ela quiser.

Gosto mais de ir ao cinema. Lá a as imagens são reais, concretas. Mexem-se e eu quase me movo com elas.

P.S.: A Maya gosta mais de levar no cú. E da areia e dos céus de Manta-rota. O Mar é o seu mundo.