quarta-feira, 25 de março de 2009

Até à anarquia

A Nova Ordem Mundial sentada a cavalo
a jogar dominó
de pernas cruzadas e a galope
encontra um elefante muito grande que a faz cair.
Das peças caídas ao chão brotam rebentos de soja
que os putos se apressam a roubar
e comer. Um pisa o pé do outro jovem amigo que lhe espeta uma facada nas costelas. Em pânico, o chavalo foge para junto da mãe que lhe entorna um tacho de sopa a ferver pela cara abaixo. Já não grita. Geme torcido no chão (aqui começar a ouvir música techno-punk).
Gera-se um tumulto ao redor das sementes de soja. Trocam-se cocktails molotov entre os transeuntes. Ao fundo, num bar rock, a esplanada está repleta de gente. Bebe-se coca-cola, vinho, dão-se tragos em cerveja . Alguns cheiram traços de coca mas ninguém parece reparar. X diz que ainda lhe sobra uma nota e que vai comprar haxe. G pergunta-lhe se pode ir com ela ao que prontamente X aceita. Dois coelhos de uma machadada. Droga e sexo. X está contente. Orienta uma placa, fode com G e manda-a para casa que hoje não está para aturar putas lésbicas. Fuma um charro e fica inquieta. Ainda não é hora de ir para casa. A mota, mal estacionada, é sempre uma boa forma de se fazer à estrada. Arranca rumo ao desconhecido, marcas de pneus no asfalto e desvia-se do fogo que ainda voa do motim anterior. É destas coisas que esta merda precisa, pensa. Quando dá por si chega a São Bento. Fodasse é agora que mando isto tudo para o caralho (acaba o techno-punk, um crescendo no silêncio que habita aquela zona da cidade naquela hora, símbolo do interior de X. O silêncio é interrompido pelo som das buzinas da bófia e de luta) Afinal hoje é mais do mesmo diz para si própria. Já não se pode ter uma ideia que mais ninguém ainda não tenha tido. Deve ser isto a que chamam de pós-modernismo. As ideias sucedem-se repetidas. A cada repetição limar arestas, tornar a coisa mais limpa, menos interessante. Os leões de São bento rugem quando ninguém está a ver. Agora, que todos os olhos para lá se viram nem um som, nem um miau produzem. Já não se vê X nem os companheiros de luta desorganizados. Há demasiado tempo que deixamos grupos de pessoas em organizações nos dizerem o que precisar, o que comer, o que fazer, como nos gerir e como ser geridos. Está na hora de nos desorganizarmos. Um para cada lado. Que o Mundo é pequeno já sabemos. Por isso havemos sempre de nós encontrar. Avancemos sem medo de nos perder. Sem medos de perder, nada. NADA a perder.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Even if you're not sure onde nem tudo se alinha por uma ordem correcta, ou pelo menos, as palavras não estão dispostas pela posição convencional.

Quem é que inventou esta história de escrever da direita para a esquerda e de cima para baixo, ou mesmo, na posição oposta como um quarto para as seis noutras culturas? Podemos sempre escrever uma coisinha aqui (tomar café) outra ali e, no fim, deixar descansar. Esperar dois segundos para o açúcar assentar e, com a colher, mexer. Esperar uns dias e depois, voltar a ler como que da primeira vez. Agora como devíamos. Sempre gostei desta espécie de experimentalismo.

sábado, 21 de março de 2009

Desde o momento que nos recusarmos a afirmar um título por um texto que a formatação automática à nossa cabeça se torna pesada e real. Forjar um novo molde pode-se tornar perigoso, pois, logo que considerados dissidentes, imediatamente corremos o risco de uma perseguição sem fim à nossa pessoa. Nós, enquanto pessoas, não estamos preparados para fugir às categorizações impostas desde que nascemos. É esta a situação que enfrentamos: estamos presos ao mesmo molde que desde o inicio do pensamento moderno sabemos não funcionar. Contudo insistimos nestes modelos inoperacionais. NÃO à repetição das formas.
Avancemos rumo ao pensamento avançado.

terça-feira, 17 de março de 2009

em pêra descobrem-se as desarmonias do trânsito que anda de cima para baixo. pontos de luz em foco interrompido aqui e ali. a boca salpicada de ternura e herpes labial. eles têm a língua enfiada um no outro e não fazem intenção de a tirar. usar uma tesoura. cortar. observar e comer

segunda-feira, 16 de março de 2009

Por vezes sinto outro a arrancar o dia como se esse parte de nós fosse.

Sem ter muita atenção às questões. Sem dizer nada nem respiro nem digo nada que não possa dizer. Hoje tinha a impressão de sobrevoar direito às clareiras que perguntavam por mim e ninguém respondia assim como só eu posso falar por mim. Atenção pessoa que dejecto é esse que largou por aí bem em cima da cabeça do livro que andas a ler tens que quer muita paciência para perceber tudo o que está aí escrito não é? Penso que sim. Da água que os seus ouvidos escorrem otites passageiras de um mundo onírico e cheio de figuras rupestres nas cavernas que se alargam à rua eu não sei pensar por ti não sei não sei não é como se te quisesse dizer e nada daí saia. Eu já não sei chorar, todas as minhas dores escaparam à voz mais alta que se possa erguer e daí que grite o mais alto que conseguir subir aos cabelos do deserto areia. Espera mais um pouco, já não sei que vim aqui fazer. Onde está a metade que me prometeram do assalto à mão armada quando era só preciso o motor quente para não se constipar? Num mundo muito feito à medida de cada pessoa temos de caber cá todos e de toda a maneira. Por outro lado há o perigo de nos fundirmos num só. Eu não quero saber realmente de ti percebes? É que desde as carteiras que foram roubadas enquanto o Egipto continha-se em si só passaram-se milénios. e agora que fazer? É que desde que me lembro não temos rumo e nem sei bem se gostaria de encontrar um. Por mais mundos que tenhamos eu tenho um. Guardo-o bem embrulhado e não o dou a ninguém. Podem todos ver. Ninguém o pode tocar. Ninguém o. o.
Parágrafo seguinte:
Parecem pequenas as gotas que cabem nos teus olhos.
e outro:
doravante só pessoas cheias de dinheiro é que acordam as outras podem ficar a dormir.
seguinte;
as flácidas falanges que Ricardo teve a arrancar as suas pestanas tornaram-se rijas. Daí não houve mais caso nenhum a relatar.

sexta-feira, 13 de março de 2009

A Caverna do Pombo (ou a arte da auto-bajulação)

Eu já não sou despedido porque trabalho a recibos verdes a.k.a. fuck it I love myself/é preciso é saber contornar a crise/crise qual crise?/mão na mão acaba-se sem um tostão.


p.s.: A Câncio tinha mamas e agora já não tem.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Pedro ama Maregarida



E Maregarida? Será que também ama Pedro? Será que Pedro deixará a thug life e voltará para junto dos seus filhos? Ou será que os bófias filhos da puta não deixarão o destino do jovem casal concretizar-se? Será que Leandro larga finalmente as drogas e funda a Escola Superior Avançada de Artes Neo-Naifs como aconselhado pelo Mocas que até é um gajo fixe e por isso até ficou bem retratado pelo seu amigo com grande futuro nas artes urbanas? Todas estas questões e respectivas respostas em qualquer esquina de qualquer bairro filmado ou não pela grande televisão que é a nossa querida TVI24.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Recibos verdes obrigatórios para crianças do pré-escolar

e umas marretadas em cima dos dirigentes deste país é que era preciso. Mas não. Da próxima vez que procriar veja bem se não perdeu novamente a cria debaixo da cama. Caso contrário, dirija-se ao infantário mais próximo e explique com cuidado que a criança é sua e não propriamente propriedade governamental.