quinta-feira, 30 de julho de 2009

Pequena caminhada à beira-mar

Antigamente os postos de pesca principais estavam sobrelotados de pescadores que esgrimiam as suas canas de pesca que zumbiam a rasgar o ar. Hoje, pouco é o cheiro a peixe que ronda as grandes cidades, os pêssegos a cair pelas matinés apodrece ao longo da marginal e logo ao acordar fazem-se longas filas de jogging a flipar as cabeças. Pernas musculadas estremecem com seus passos potentes o chão. As mulheres ao longe transformam-se em homens e os homens nelas surgem como asas voláteis de encontro ao mar. O peixe, amedrontado, deixa de aparecer. Os olhos, turvos, vislumbram apenas a luz que do céu cai iluminando a outra margem. O Sul é já cá ao lado. Deitar na pedra e acordar. Felizmente que tudo não passa de uma ilusão. A fome é passageira e a pesca dirige-se ao talho mais próximo. É desta a vez que é. Armados até às guelras os peixes tomam de ataque o seu futuro. Rumo ao próximo capítulo - até já!

sábado, 4 de julho de 2009

Sobre a poesia morta nas bancadas de cozinha comer a cabeça dos pensadores e daí pensar por nós próprios.

O Mundo já não nutre simpatias pela poesia, não lhe daremos isso então. Antes um desfilar de horrores e mortes cruzadas com coca-cola e Água das Pedras verdadeira, naturalmente gaseificada. Não queremos imitações, queremos antes as marcas originais que ajudam a repor os líquidos perdidos nas noites passadas. O que nos interessa é o realismo da nossa vida. Só daí sabemos extrair o sumo das metáforas com que nos tentam impingir todos os dias. Não queremos mais isso. Queremos a acção violenta contra as instituições. A queda sucessiva dos Governos. Queremos a morte dos Ditadores e dos seus filhos. A cada deputado uma bala. A cada seu substituto o estupro das suas famílias. Para cada ordem uma grande desorganização. Não precisamos que nos digam o que fazer. Nós sabemos como destruir.