quarta-feira, 29 de abril de 2009

Primeiro adorava adoçar a sua boca com as amêndoas de chocolate que sua mãe lhe enfiava goela abaixo para não sentir amargura. Depois sentiu-se doente com as cantorias à beira da cama que ao invés de o adormecer tornaram as suas noites longos pesadelos. Pancadaria all night long(como se de repente pudesse esquecer tudo nas feridas do seu corpo). Ao acordar ela ainda lá se encontraria, dormindo sobre ele. Depois que a sua boca se fechou devido à diabetes avançada o seu corpo era como sonhara. Uma ferida imensa de tristeza e solidão. A sua única companheira jazia morta como pedra lá no seu trono. Estavas linda, linda...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Há cães que não têm ordem para ladrar. Por isso limitam-se a emitir latidos em que tentam imitar os donos de suas casas. Sabe-se que não distinguem cores, portanto ver obras de arte com eles torna-se um pouco limitado. Um desengano.
No CAMB comparece numa retrospectiva de cores simples que nos enganam. As rectas parecem ter uma relevância nula para este caso. Por isso são referidas.
Concordo com a necessidade de aprender a escrever com lápis, papel e caneta. Quando os apagões da electricidade provocados pelas gaivotas alentejanas se tornarem mais frequentes para quem nos viraremos quando precisarmos de uma critica de arte? É preciso opinar, pois antes dos computadores já enviavamos telegramas sem piar baixinho que oh não o que será de nós sem a demagogia da introspecção infinita a acontecer por acaso.
Os passos são pequenos - devemos tomar como precaução às tonturas provocadas pela cultura que nos troca as voltas cães a esperar na esplanada de café na mão a rosnar baixinho - de olho no Destak e o Público na mão a disfarçar. Por isso meus filhos, dedos nas obras com umas quantas marteladas e um serrote para nos cortar as unhas. Um dedo no sarro e a terra debaixo de nós remexida umas quantas vezes amarrota o pneu da minha barriga que está cada vez maior e cresce com comida. Por instantes à introspecção nunca. Isso soa a Ditadura. Estamos terminantemente melhor no lado da água. Não deixar nada afogar. O ideal é um barco daqueles a motor. Fazer um desfile avenida abaixo a gritar não mais ao que está feito feito está é só partir um bocadinho, destruir, desconstruir. Fugir. Caso contrário as ideias e o mar esgotam-se num só. O resto é só a porcaria que o tempo se contrai a recolher. Fugir. Está podre. Fugir. Está. Sempre que esperares um bocadinho de ti cai pobre, podre... Não será concerteza assim que venceremos a sabedoria irresoluta absoluta. Quem de ti sabe? Quantos de ti vai? Longe.
Quem comprova os talentos provados?

terça-feira, 14 de abril de 2009

É na Primavera que a temperatura ameniza de forma a ajudar as criaturas de Deus procriar. A Natureza, por mais tacanha que possa parecer perante a força humana, tem a sua forma de se abater sobre nós. Por mais que queiramos, a nova estação ainda não anda por aqui.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Muchas gracias, obrigado.


Aqui ao lado, passam-me uma nomeação de um manifesto "jovens que pensam", assim como umas quantas regras a cumprir. Tenho que publicar as regras, mostrar o link do blogue que me nomeou, nomear dez blogues feitos por "jovens que pensam", avisar os nomeados e publicar estas regras todas. Uma autêntica canseira para quem tanto pensa quanto eu! Para abreviar, falta-me só a parte em que troco o galhardete a mais dez pensadores escitores internautas com capacidade para reflectir sobre si próprios e o mundo e ponto final. Como eu dou muito valor a isso tudo mas dou ainda mais valor a quem como que pensa muito sobre si e o mundo. O Mundo pensa sobre si e volta-se. Observa a pessoa. A pessoa a olhar o mundo é o limite é fixe mas não é tudo. O Mundo olhar sobre si é mais divertido. Agora nunca o Mundo olha sobre si. É preciso força-lo a isso. Eu sei que sou um gajo que até tem mais do que dois neurónio na cabeça. Mas isso não me serve para nada se não os usar para mais do que pensar. Não me levem a mal eu gosto de pensar, gosto de pensoas que pensam e essas coisas todas. Agora o que eu acho é que TODAS as pessoas têm essa capacidade. Nem todas o fazem no seu dia-a-dia, nem todas o precisam de fazer, nem todas gostam de o fazer. O que é que eu tenho a ver com isto? Nada. O que é que os outros TÊM a ver com isso? Nada. O que eu acho é que obrigado pela nomeação pois eu até acho que tenho uma forma de pensar diferente, claro, é a MINHA forma de pensar. Mas aquilo o que eu acho que tem realmente valor são os jovens que, diferentemente de mim, ou seja, que não limitam a pensar, são os jovens que efectivamente FAZEM e provocam revoluções com bombas, morte, tudo tudo a que uma revolução tem direito. E esses menos que poucos são nenhuns. Pelo menos a revolução que eu acho que temos direito, sejam as mortes e explosões meras metáforas do mundo que evolui e que não se limitar a olhar e a pensar no que pode mudar. Quanto tempo mais temos para deixar de pensar e fazer?
Passo a nomeação aos dez primeiro no Mundo que FAÇAM este sítio em que, todos nós que pensamos, um lugar em que gostamos mesmo de viver outra vez sem medos, sem nada.
Obrigado.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A luminosidade é coisa relativa. A luz é intensa e por isso fecham-se os olhos que abertos se ferem. Por dentro dessa relativa escuridão (que a luz não deixa apagar tudo por completo) imaginar como quadros sucessivos de lembranças estilhaçadas pela presença própria do corpo mente presente. A boca, como se comunicasse tudo o que tem para dizer, chega a ter importância despropositada. Daí surgem conflitos que, não tendo origem externa, ali transparecem.