terça-feira, 18 de agosto de 2009


Por cima das terrinas

Por cima da televisão, pendurado na parede, está uma imitação barata de um quadro holandês, daqueles autores mestres na técnica do claro-escuro. Este representa uma estrebaria, onde o anafado dono de um cavalo branco e de três cães fala com dois criados enquanto outro homem, encostado à porta, observa a situação. A claridade entra pela porta, iluminando a cena central, enquanto o resto da estrebaria é deixado na penumbra. Do lado direito à televisão está uma vela suportada por um candelabro de ferro em forma de coração e duas terrinas de barro. Uma grande e uma mais pequena. Sobre a estante que suporta estes objectos, descansam também óculos, carteiras, chaves, telemóvel e uma factura de origem desconhecida. A sala está sossegada. Estou cá apenas eu à procura de palavras que a possam descrever.
Ligo a telefonia em busca de uma quebra com a monotonia. Na televisão começa um documentário sobre macacos e homens. A conveniência de ter o cérebro de um chimpanzé e o corpo de um homem é que as recordações trazem-nos sempre de volta à escala da evolução. Parece que por mais que se cresça nela voltamos sempre às nossas origens. A procura pode ser interessante se a soubermos fazer bem, caso contrário, corremos o risco de estagnar em situações mais que refeitas e utilizadas. Não queremos nada disso. O nosso objectivo é a revolução. Nunca a estagnação.

AGOSTO

A terra da ternura brande a sua paz e cega-me os olhos. Ao abri-los sinto tremeluzir a pálpebra. Qual delas? A direita sagra e faz. A esquerda ocupa. Os peões estão lançados. Ergue-te ao Sul. O rumo parte das suas capacidades da memória não se perder por ti adentro, Portugal. Os olhos enganam, encantam. Digo a minha justiça será feita quando todos os homens morrerem e a terra por si adentro nos engolir devastadora. O pregão lança-se na sua saudade de dizer adeus adeus à saudade adeus saudade não te quero mais. Não mais há saudade de existir, não a nenhuma contração apenas a do Planeta terra azul de alegria e mar. Não mais há saudade cabum. Morre Portugal!