sábado, 18 de novembro de 2017

Video vigilância

Com esta lente te foco
porque acresces-me o valor
com que te conheço.
amo a venda do teu corpo,
entrego-te à sabedoria corporativa
do dinheiro.
Enriqueço com as coisas que gostas…
vendo-te e
enches-me o porco mealheiro.

Com este olho te espreito.
Sôfrego de prazer
adoro a forma como te comportas
entre os outros
vultos são indivíduos,
individuos têm hábitos, há que os por a render.

Concentro-me
em
teu valor acrescentado, 
e gozo por te…
conhecer.

 Adoro o teu corpo.
Entrego-o à sabedoria  capitalista do dinheiro,
amo as empresas às quais te dou,
enriqueço com as coisas
que
tu…
gostas.

Vendo-te e
enches-me o porco mealheiro.

(havendo costuras rebentava/
Como não estilhaça-se no soalho/
moedas contra a parede/ barro no chão.)

Lambo sôfrego o dinheiro…

Vigio-te,
Protejo-te das maldades dos outros homens,
salvo-te das garras de quem te quer mal, muito mal e que te magoe..

Não te preocupes minha filha,
Anda pela rua sem te preocupares,
evita nódoas negras e preocupações…

a videovigilância começou, já nada te poderá roubar.

domingo, 1 de outubro de 2017

"Winston pegou no copo com certa avidez. O vinho era...

coisa que de que já lera várias descrições e com que muitas vezes sonhara. Tal como o pesa-papéis em vidro ou as lengalengas meio esquecidas do Sr. Charrington, o vinho pertencia ao passado romântico desaparecido, aos tempos de antanho, como gostava de lhes chamar em secretos pensamentos. Sem saber porquê, sempre pensara que o vinho tinha um sabor extremamente doce, como a compota de amora, e efeito imediatamente inebriante. Mas afinal, ao engolir o conteúdo do copo, ficou francamente desapontado. Na verdade, ao fim de tantos anos a beber gin, mal conseguia sentir o paladar do vinho. Pousou o copo vazio."

George Orwell, Mil novecentos e oitenta e quatro

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Zero fiz

Gel, Quês e porros. Pisga
gelada a Paz no Verão.
Baú de noz!
Bem usa a dor a
missa no olho, medo…
Missas nos olhos, medos em
Seia!
Pena o tal som que vê hoje dois que rezam com dor e cio e
roda a Sul a tez
na cama e
fixa o Sol que
caiu e fez
a janta: cal e pós.
Bufai e ri!
A fé da
fêmea
foi
a peida da tia…
Ri, ricaço nú!
Crei no bibe, cú!
Tu! Tuba de lã que tem…
… tem a tia…
…tias! que as duas na tuna a dar o braço, que belo!
Somem Som e Sol!
Vou na vaia e nas vaias vens…
Avisem… avisemos…
mapeais gomos…
pilares…


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Mijo de cão

Lucram esplanadas nos passeios de calcário,
espaços usurpados pela propriedade.

Nelas, pessoas paradas,
sentadas, pessoas excitadas pelo turbilhão do nada,
que nada faz, nada produz,
tudo compra.

As pessoas nada têm, de tudo precisam.

Erguem-se prédios, casotas para viver, sanitas de porcelana cagada limpas com piaçabas!

O trimestre finda com a conta da água, quem não paga não caga nem bebe.
Há que admirar as bestas que mijam pela rua. Nelas
encontra-se uma antiguidade sábia:

o mijo carece de capital e
o homem é um
bicho-besta
anormal.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

A história do massajador de cabeças

Havia um massajador de cabeças que falava. Dizia coisas sobre a Idade do Conhecimento e sobre como construir as ferramentas necessárias para a por em prática. O massajador, enquanto deslizava pelos cabelos presos à nuca de alguém, chateou-se com a cabecinha oca que massajava. Chateou-se pela cabeça não perceber nada do que ele dizia e puxou-lhe o cabelo.
-Ai!- disse a cabeça oca.
O massajador pensou. Porque estava ele chateado? Ele já sabia como as coisas são. Por mais puxões de cabelo que desse, nada entraria naquela cabeça. O massajador acalmou-se e, a partir daí, apenas massajou.