sábado, 18 de fevereiro de 2017

A história do massajador de cabeças

Havia um massajador de cabeças que falava. Dizia coisas sobre a Idade do Conhecimento e sobre como construir as ferramentas necessárias para a por em prática. O massajador, enquanto deslizava pelos cabelos presos à nuca de alguém, chateou-se com a cabecinha oca que massajava. Chateou-se pela cabeça não perceber nada do que ele dizia e puxou-lhe o cabelo.
-Ai!- disse a cabeça oca.
O massajador pensou. Porque estava ele chateado? Ele já sabia como as coisas são. Por mais puxões de cabelo que desse, nada entraria naquela cabeça. O massajador acalmou-se e, a partir daí, apenas massajou.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Batalhas

Vi na internet que há uns gajos que fazem entregas ao domicilio com preços bastante justos. Levam a casa preservativos XL, a garrafa de Grant's custa 14 euros e a de Taboo também. Quis logo mandar vir uma! Aconteceu que ninguém atendeu o telefone.
Estes negócios perdem todo o lucro face às oportunidades que crio. Fui antes ao supermercado comprar uma garrafa de Grey Goose e engatei um Boy Toy pelo caminho. Compensei o dinheiro que gastei a mais no Vodka nos preservativos. Ele tinha imensos em casa. Gastámo-los todos.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Aquelas coisas para apanhar lagostas

Aquelas coisas que apanham lagostas,
projecteis de areia estendidos em meu redor,
nesta praia amarela pelo Sol.

Aquelas coisas que ficam na cabeça,
porque merecem
a nossa memória válida.

Aquelas coisas que apanham lagostas com suas tenazes de fora.

Aquelas coisas que apanham lagostas
Aquelas coisas que apanham lagostas

aquelas coisas para apanhar lagostas.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Conheci João Claudio Carneiro no Finalmente. Antes de o beijar, inclinei-me para trás, de modo a vê-lo pela primeira vez. A sua cara transmutava-se em almas que tinha.
Ao acordar na sua cama, vi o Santo António Popular na estante e o Cristo a chorar. Os pregos cravejados em si, sangram de seus pulsos massacrados...

sábado, 10 de setembro de 2016

A puta

De saia travada de cabedal
a puta dança.
               A estrada em curva, estremece com
com o bater do pé. Em
            certos buracos, falta o asfalto.
À rapariga nada lhe falta.
Ela é:
a)      a palpitação constante do
coração;
b)      o asfalto ausente;
c)      mulher e humidade.